Meritocracia nos preços de energia?

Se você pudesse escolher, preferiria contratar energia pela melhor combinação de preços e emissões ou estaria disposto a simplesmente pagar mais caro?

Não há dúvida que a alternativa é pagar o mínimo considerando uma fonte “limpa”. Assim ouço dos dirigentes de empresas e instituições para quem presto consultoria.

No Brasil convivemos com uma anomalia. Apesar de termos uma das fontes mais cobiçadas do mundo (hidráulica), que combina os custos mais competitivos do planeta com as menores emissões do planeta, nossos dirigentes tem privilegiado outras fontes, mais poluidoras e caras.

As fontes hidráulica e biomassa são amplamente disponíveis e os equipamentos para produzir energia elétrica a partir delas, todos fabricados com excelência – padrão mundial – em nossa terras! A energia fornecida é firme, oferece grande confiabilidade e sobretudo há um potencial disponível equivalente ao parque atualmente existente!

Mesmo assim o país está priorizando fontes como a solar fotovoltaica. É essencialmente importada (filme não é produzido localmente), as emissões são altas pois a produção do filme é bastante poluidora, e para agravar, o preço da energia bem acima das alternativas nacionais.

Para o país que precisa de competitividade de custos, empregos locais e respeito ao Acordo sobre emissões, firmado em Paris, esta política deveria ser revista. Urgentemente.

Energia: ensinamentos da olimpíada

A abertura e o encerramento foram espetaculares. As disputas que assisti pela TV também. Foi um evento classe mundial. O Brasil mostrou que pode fazer, e muito bem! Com alegria, criatividade e beleza. Com um bom orçamento para investimentos, o Brasil entregou e surpreendeu.

Voltando à rotina diária, o desafio prioritário agora é outro: cortar custos. das nossas empresas e instituições públicas do setor elétrico, óleo e gás, Precisamos reduzir ou mesmo eliminar uma lista de custos. Trata-se de um trabalho muito mais difícil e desgastante do que o da realização das olimpíadas em que se contratam novos projetos..

Diferentemente da olimpíada em que a disputa é pelas medalhas, o profundo corte de custos requeridos está associado a ações nada glamorosas como demitir gente, rescindir contratos, exigir redução de despesas com metas preestabelecidas. Não há pódios, execução dos hinos, lágrimas de emoção. É sim, o mundo frio dos resultados e da meritocracia que demanda trabalho meticuloso, perseverante, sem o holofote e tietagem da mídia, mas que tem o potencial de oferecer grandes resultados.

A decisão por esta conduta pode ser difícil pois contraria interesses profundamente enraizados em todo o país. Desde empresas, o contingente grandioso de funcionários públicos cheios de benesses que aquiescem com o status quo, os políticos que estão sempre encabeçando ostensiva ou ocultamente “projetos” ineficientes em sua grande maioria, e os órgãos de “controle” que notadamente não exercem sua função como seria esperado.

Mas a boa notícia é que a decisão é essencialmente muito simples. Ou então que se estabeleça definitivamente o populismo, a mentira, o faz de conta. É o nosso ponto de inflexão: queremos ou não ser grandes. Ou será que podemos acreditar que pode tudo continuar assim como está?

Novamente: a fragilidade dos reservatórios

O volume de água armazenado em nossas hidrelétricas, calculado pela INTERACT a partir dos dados divulgados pelo Operador Nacional do Sistema, é representado pelo gráfico.
Post 1 Jun 16

O consumo de energia elétrica do país anda baixo dada a crise econômica instalada. Mesmo assim os reservatórios não conseguiram recuperar sua capacidade nominal de armazenamento, que é de 4,5 meses, ou 140 dias de consumo.

Por que esta situação preocupa?

A tendência é terminar o período seco com um volume da ordem e 1,5 meses, o que aponta para uma possibilidade realista de um aumento considerável do SPOT.

E daí que o SPOT aumente?

O problema central, é que no Brasil, quando o SPOT aumenta, o mercado eleva também os preços para entrega futura.

A mensagem é clara: caberá ao cliente analisar estas informações para tomar decisões   com folgada antecedência. A alternativa é aguardar a situação se configurar, e no calor dos acontecimentos descobrir o que fazer!

Geralmente prevenir é melhor que remediar!

Meio ambiente: discurso e ação

Para os amantes da natureza, sejam pessoas físicas ou jurídicas, deve-se minimizar emissões considerando todas as atividades dos processos produtivos.

Assim, um painel solar, fotovoltaico, que produz energia elétrica deve ser avaliado em termos de emissões desde a sua produção até a sua utilização. Não adianta somente enxergar a parte limpa, quando o sistema é colocado no telhado de nossas casas, mas há que considerar a poluição gerada para produzi-lo, especialmente o filme.

Na mesma linha, vemos tantos e-mails que terminam com a assinatura “pense antes de imprimir”. A mensagem que se deseja passar é que eletronicamente pode-se evitar uma montanha de documentos impressos com todos os agravos ambientais associados. É verdade, é claro!

Curiosamente entretanto, em nosso país, papeleiro por excelência, exigimos que contratos sejam assinados em papel e na sequencia entregues para as partes. Gastamos papel, cartuchos de impressora e, transporte que consome combustível. As partes, geralmente não aceitam que tudo seja feito eletronicamente, como seria esperado!

Podemos fazer uma transação financeira usando a internet para pagar milhões, mas para “assinar” um contrato fazemos questão do jeito secular.

Este exemplo da assinatura é emblemático. Olhando com atenção para os processos das empresas e instituições, é fácil verificar a quantidade de ações que poderiam ser simplificadas na prática, reduzindo as emissões, ajudando o meio ambiente e principalmente, diminuindo custos!

Os riscos dos consumidores cativos

No imaginário dos clientes cativos (de energia elétrica) este ambiente oferece mais segurança em relação ao livre. A razão apontada é a de que o regulador (ANEEL) tem a função de proteger o equilíbrio entre todos os agentes e particularmente dos consumidores, clientes da cadeia produtiva do setor elétrico.

Trata-se de um mito! As idas e vindas da regulação, mostraram cabalmente a todos, que o consumidor cativo está de fato bastante exposto no Brasil. Nestes dias surgiu uma novidade nesta direção. As concessionárias agora não terão mais a obrigação de contratar o volume inteiro para atender sua clientela. Poderão sim contratar a menos e fazer o acerto no mês a mês, como se diz no jargão das commodities.

Nestes últimos anos as concessionárias sofreram com a sobre contratação. Ou seja seus clientes consumiram a menos do que o estimado e o resultado foi a necessidade de liquidar sobras a um preço mais baixo que o do contratado. Tiveram prejuízo.

Agora a tentação vai para o outro lado da balança. As concessionárias terão toda a motivação de sub contratar com a expectativa de que se precisarem mais energia para atender sua clientela, recorrerão por exemplo ao SPOT, esperando fechar transações a um preço inferior ao contratado e assim fazendo mais um resultado positivo nas suas contas.

Sabemos todos de que os mercados oscilam. Portanto não será razoável supor que as concessionárias, por mais brilhantes que sejam em suas previsões, acertem na mosca. Quando o Brasil retomar o PIB positivo e/ou tiver uma situação delicada nos reservatórios das hidrelétricas, o panorama se inverterá e fortemente.

O ponto que desejo trazer para consideração, é que o risco destas diferenças de volumes e preços acabará sendo transferido para os clientes. Os consumidores cativos que se cuidem pois os riscos existem e serão de fato por eles incorridos. Serão na prática consumidores livres, porem sem poder manejar os riscos como este tipo de consumidores pode fazer. Ou alguém, depois de tudo que aconteceu nestes últimos tempos, ainda acredita em contos de fadas?

BIG DATA: o novo mundo da energia!

Há uma movimentação que está mudando a feição dos negócios na área de energia em redor do globo. É a BIG DATA. Ou “grandes números” em uma tradução simplista.A ideia é:

1°) Identificar os grandes números que representam o mundo da energia
2°) Analisá-los para entender as tendências do mercado
3°) Descobrir as soluções que atendem aos interesses e conveniências do mercado
4°) Mercado entendido como cada segmento de consumidores

Os dirigentes das empresas ofertantes do mercado procuram realmente traçar o perfil dos seus clientes para poder oferecer muito mais que a energia, que, por mais de um século foi “apenas” uma commodity.

Agora o negócio está centrado na geração de valor, compartilhando resultados entre todos que fazem parte da cadeia de negócio. É bem diferente do que os discursos bonitinhos que temos no Brasil, que tipicamente falam o que os clientes desejam ouvir mas que pouco se refletem na realidade dos negócios. Três exemplos emblemáticos:

  • Raramente um gerente e muito menos ainda um diretor de uma empresa de energia no Brasil, visita seus clientes
  • Quando um cliente precisa algo é direcionado para um call center onde é tratado protocolarmente
  • A regulação estabelece que receitas por valor adicionado aos clientes serão deduzidas de reajustes futuros nas tarifas, portanto são desinteressantes

Se o Brasil desejar competir, está mais do que em tempo de tomar conhecimento do BIG DATA, para evitar o que está acontecendo: estamos perdendo feio na batalha global.

A boa notícia é que se olharmos pelo lado positivo, há um grande espaço para criação de oportunidades. Questão de vontade!

3° segredo do mercado livre: quando fechar preços?

Um dos fatores mais importantes que diferenciam as empresas e instituições que fecham preços de energia elétrica especiais, muito competitivos, das demais, é o horizonte que consideram para avaliar as oportunidades.

Quando presto consultoria, mostro ao cliente que ele pode escolher, basicamente, entre duas opções:

“A”       Fechar preços quando o contrato em vigor está por se encerrar
“B”       Fechar preços quando surgir uma oportunidade interessante

No Brasil a “A” é a mais comum, de longe! Procuro estimular o cliente a aprender uma metodologia baseada na “B”.

É uma outra abordagem, que requer um monitoramento do mercado e especialmente comparação entre os preços ofertados para entrega futura com referencias sólidas de comparação.

As opções “A” e “B” acabam resultando em preços fechados muito diferentes entre si. As economias para quem desejar aprender sobre a opção “B” podem ser realmente muito expressivas.

Se desejar conhecer mais sobre a opção “B” entre em contato! É simples, fácil e até mesmo muito prazeroso trilhar por este caminho!