Energia: decisão arrojada mas imperativa

O Brasil é um país abençoado por fontes de energia renováveis e abundantes, como o Canadá que também apresenta vasto território e conta com uma matriz fortemente hidrelétrica. É e tem sido há décadas bem mais competitivo na energia elétrica que o Brasil. Tudo indica que continuará sendo. O mesmo ocorre com a Suécia. Isto sem falar dos países que precisam pagar combustível para produzir energia elétrica e são mais competitivos que o Brasil.

Proponho que o setor elétrico se coloque um desafio: o Brasil deveria se tornar um país entre os mais competitivos do mundo na energia elétrica.

Deveríamos começar pela pergunta; o que fazer para alcançarmos e mantermos uma posição de ponta no mercado?

E a partir daí traçar nosso plano para fazer acontecer. É bem diverso do que temos feito, que é criar uma profusão de programas lastreados em subsídios e artificialidades que acabam por tornar a energia brasileira muito mais cara que a paridade competitiva. Ou seja, nossa intelligentsia costuma inchar o setor com custos pois a competitividade não é uma prioridade.

Há que olharmos os números (por exemplo em USD/MWh), escolhermos dirigentes de empresa e instituições controladas pelo Estado brasileiro que tenham como prioridade virar a mesa e trazer competitividade.

Diferente disto e o Brasil permanecerá inviável para uma lista de atividades produtivas de baixo e médio valor agregado, que é onde o Brasil se enquadra, como país em desenvolvimento.

O que falta para que tenhamos a coragem de tomar esta decisão estratégica?

Tendência dos preços de energia elétrica

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O preço da energia elétrica é um dos sinais mais importantes para compradores (indústria, comercio, serviços, instituições, residências) e vendedores (de energia, eficiência energética, geração e cogeração e conexão à rede).

É claro, pois os preços norteiam uma boa parte dos processos decisórios. São duas linhas de pensamento envolvidas:

  • Externo
    Como nossos preços estão em relação aos países com os quais competimos
  • Interno
    Como o preço, contratado, está comparativamente com a referencia

No momento, a referência – em ordem e grandeza – de longo prazo está em R$ 367/MWh, para os preços líquidos de impostos.

Este valor, é bom que se diga, não inclui qualquer provisão para a lista de passivos que estão aí, para serem pagos pelo setor elétrico, e que certamente acabarão por ser repassados para os clientes.

Se desejar descobrir esta referência de preços considerando porém, a sua concessionária local, a tensão da conexão à rede pública da sua empresa ou instituição e perfil de uso da energia, não hesite em entrar em contato conosco!

Auto avaliação: como está seu olhar estratégico?

Se você participa das decisões sobre contratação e uso de energia:

  • Responda este questionário,
  • Verifique sua pontuação e,
  • Descubra oportunidades.

1°) A conta total de energia (eletricidade, gás, biomassa, diesel, etc.) é, na lista de custos da sua organização, um custo
.
(a) Top 5 (15)                            (b) Top 10  (10)                (c)  Top 20 (5)
.
2°) Novos contratos de energia são negociados
.
(a) Quando há uma oferta atrativa (15)          (b) Próximo do final do contrato vigente (5)
.
3°) Há uma monitoração mensal do custo energético por unidade de energia, ponderando-se todas as fontes (eletricidade, gás, biomassa, diesel, etc.) consumidas?
.
(a) Sim (15)                (b) Não (0)
.
4°) Há uma monitoração mensal do consumo específico de energia,  ponderando-se todas as fontes (eletricidade, gás, biomassa, diesel, etc.) consumidas em relação à atividade física (se indústria, em quantidade produzida, se prédio em metro quadrado ocupado, etc.)
.
(a) Sim (15)                (b) Não (0)
.
5°) O critério de seleção das fontes de energia que serão contratadas obedece a que critério:
.
(a) A menor oferta de preço no momento da consulta (5)     (b) Na criação de um portfólio que seja bem resistente e competitivo em médio e longo prazos (15)

6°) Há um plano estratégico formalmente instituído
.
(a) Sim (15)                 (b) Não (0)

Agora confira o resultado, lançando a pontuação de cada resposta na tabela. Para ilustrar inseri respostas de um executivo, dirigente de uma indústria de transformação que entrevistei recentemente.

Questão Pontos obtidos
(do lado direito de cada alternativa escolhida)
Máxima  pontuação
1 15 15
2 5 15
3 0 15
4 0 15
5 5 15
6 0 15
Total 25 90

Este executivo obteve 25/90 = 28%. É um resultado típico. As boas notícias que dei a ele são:

  • Há oportunidades importantes a serem exploradas
  • Boas chances de transformá-las em resultados
  • Requerem pró-atividade na busca de conhecimento (interno e externo)
  • Necessidade de análise para criar alternativas
  • Postura de dirigente para tomar decisão

Não hesite em entrar em contato para conversar sobre o seu resultado e especialmente oportunidades!

Óbvio, mas incomum!

As práticas consagradas de boa administração sugerem que a alocação do tempo da alta direção de empresas e instituições seja paritário com o tamanho de cada conta – refiro-me à lista de despesas.

A curva ABC é muito conhecida dos executivos, sendo um padrão no mundo corporativo.

Mesmo assim, a conta de energia, muitas vezes foge a esta regra, embora seja com frequência um custo Top 10 ou até mesmo Top 5. As principais 5 razões que colecionei, para esta situação:

  • Desinteresse por um assunto tido como “técnico”
  • Falta de vontade de aprender sobre os riscos envolvidos com a contratação de energia
  • Desinformação acerca das fontes que poderiam/deveriam ser prospectadas para cada caso
  • Percepção, equivocada, de que preços e tarifas de energia não apresentam oportunidades ao longo do tempo
  • Tradição de apenas contratar energia às vésperas do fim dos contratos vigentes

Para aqueles que tomarem a iniciativa de alocarem seu tempo de acordo com o tamanho da conta de energia, poderão capturar oportunidades com chances realistas de mudar significativamente:

  • O seu custo
  • O gerenciamento dos riscos associados
  • Um assunto anteriormente “chato”, em fascinante
  • E ser uma oportunidade para desenvolvimento pessoal e profissional

Setor elétrico: quanto custa a desobediência às leis?

Duas desobediências emblemáticas:

  • Muitas concessionárias estão inadimplentes junto a CCEE
  • Uma lista de agentes “não aceitaram” a repactuação do GSF

Este artigo não pretende analisar as razões destas duas graves desobediências institucionais, que são medidas em bilhões de Reais e que se arrastam há muitos e muitos meses.

  • O Poder Judiciário não indicou se e quando tomará alguma decisão a respeito
  • Os executivos das empresas e instituições inadimplentes não estão sendo responsabilizados
  • Os legisladores não estão nem aí!

O resultado concreto é que há um custo oculto, pago por todos que respeitam as leis em favor dos que não respeitam.

Enquanto isto, o Brasil empurra atividades produtivas que competem globalmente para outros países, mais arrumados institucionalmente. Este é, de longe, o maior custo que o país paga pela desobediência estabelecida.

  • Como estimular todos que fazem parte deste imbróglio a resolver a situação?
  • Há interlocutores interessados em virar a mesa e criar um ambiente saudável?
  • Ou será que estaremos fadados a permanecer no terceiro mundo?

Competitive Power College Conference Workshop

Se você deseja se atualizar na área de energia, na perspectiva da indústria, comércio e instituições, power-projects-for-energy-users-in-brazil é um curso de 4 horas no dia 11 de Dezembro, em Orlando, na Florida.

5 razões para você fazer este curso:

  1. Visão panorâmica sobre os negócios de energia no Brasil
    .
    Um olhar para os grandes temas econômicos, financeiros, técnicos e de gestão será lançado para contextualizar os desafios e oportunidades
    .
  2. Gestão de riscos
    .
    A hora e a vez de portfólio management, certamente chegou ao Brasil! Conheça esta forma de enxergar e gerenciar os negócios de energia.
    .
  3. Energia é Top 10, muitas vezes Top 5 de custos de empresas e instituições
    .
    Assim como no mundo desenvolvido, fará todo sentido tratar a conta energia considerando o tamanho que tem na lista de seus custos.
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  4. O curso faz parte da POWERGEN, o maior evento do ramo no planeta!
    .
    Aproveite para participar deste congresso e exposição único no mundo, que traz tudo de importante que está acontecendo no mundo “power”.
    .
  5. É o máximo!
    .
    Participo da POWERGEN desde a década de 90, como palestrante e como visitante. Sempre foi muito enriquecedor, abrindo meus horizontes.

Espero encontrá-lo em Orlando, na Flórida, na POWERGEN! Se desejar conversar sobre este evento, envie e-mail para rafael@interact-energia.com.br

O que muda com a tarifa branca?

Anunciada recentemente, a tarifa branca será oferecida ao mercado de baixa tensão e deverá seguir a mesma conceituação das tarifa horo-sazonais que foram introduzidas no Brasil há cerca de 30 anos.

A motivação é a mesma: estimular o uso da energia fora da ponta e assim compartilhar benefícios entre todos envolvidos. As concessionárias aliviam suas redes no horário crítico, evitando investimentos que passariam a maior parte do tempo ociosos. Os clientes podem obter importantes reduções de custo nas contas de energia elétrica..

Na prática esta mudança precisa ser bem identificada pelos clientes e fornecedores de energia e soluções: 

  1. Os custos da energia serão função do horário
    .
    As economias que soluções de eficiência energética proporcionarão serão mais valiosas por MWh consumido na ponta do que fora de ponta. Na tarifa convencional, atual, a economia é a mesma em qualquer horário.
    .
  2. A geração distribuída precisará ser recalculada
    .
    Um painel solar, por exemplo, produz energia essencialmente fora de ponta e portanto gerará uma economia relativamente menor com a tarifa branca em relação à convencional
    .
  3. O cliente precisará gerenciar seu consumo
    .
    Como o custo da energia é função do horário alcançar e manter custos menores demandará comprometimento e pro-atividade do cliente

A tarifa branca é certamente uma evolução! Segue o que tem acontecido no mundo desenvolvido. Os clientes poderão fazer economias importantes se internalizarem o que esta tarifa sinaliza e principalmente, agirem na direção certa! Ou então pagarão até mais caro!

Tendência altista dos preços de energia

post-13-set-16

A linha azul mostra a evolução do spot neste ano de 2016. A pontilhada, em vermelho, a sua interpolação exponencial (R2 = 0,92).

Comentários:

  • A demanda por energia está fraca dado o PIB anêmico
  • Os reservatórios estão 40% acima dos níveis dos últimos 2 anos
  • O spot está abaixo dos valores para setembro dos dois últimos anos

Uma avaliação que se pode fazer é que a despeito das condicionantes todas, que puxariam os preços mais para baixo, há um viés altista nos preços, independentemente das sazonalidades típicas do nosso setor elétrico. Uma possível explicação: é o custo marginal da expansão!

Energia: a vez da diversificação

portfolio-management

Incerteza.

Esta talvez seja percepção mais importante sobre o Brasil, assim como ouço dos dirigentes dos clientes para quem presto consultoria.

Como tomar decisões em um ambiente de 4 incertezas exacerbadas?

  1. A cadeia produtiva do setor energético está em situação delicada econômico-financeira
    .
    O TCU divulgou recentemente relatório preocupante, indicando que a grande maioria das empresas estão abaixo dos indicadores regulatórios exigidos. A consequência é incapacidade de atenderem aos os índices de continuidade de fornecimento (interrupções não planejadas)
    .
  2. Há uma cadeia de inadimplência estabelecida
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    O exemplo emblemático que  tem sido noticiado, envolve a quarta maior usina do Brasil (Jirau), que não recebe do cliente (distribuidora). Decidiu então não cumprir seus compromissos com a CCEE.
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  3. Os preços futuros da energia elétrica estão subindo
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    Ainda que a demanda atual esteja fraca, dado o PIB negativo, os preços futuros mostram aumento pelo simples fato de que a energia a ser entregue por usinas novas, a serem construídas, terá que pagar juros que são dos maiores do planeta. Decorrem do risco Brasil. Investir aqui é muito mais arriscado do que em uma lista de outros países.
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  4. Instabilidade regulatória
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    Previsibilidade e segurança jurídica não tem sido o forte do Brasil, e mais ainda no setor energético. Novamente, a comparação é com países, nossos concorrentes globais!

Há uma estratégia que tenho recomendado. Diversificação dos riscos. Criar um portfólio de alternativas para que seja possível enfrentar os riscos com mais chance de – em longo prazo – manter um resultado de custos de energia, em média, mais competitivo.

Trata-se de uma mudança importante nos nossos  hábitos corporativos, que estimulam o fechamento dos melhores preços, hoje. Ou seja, a comparação é tipicamente feita entre uma lista de alternativas considerando os preços atuais, não os futuros.

Se desejar saber como o seu negócio pode se beneficiar de portfolio management, entre em contato para explorar as suas opções!